Negócio

Perfil da Empresa no Google para consultório: o passo a passo

· 9 min de leitura

Dois profissionais de jaleco branco, um deles com estetoscópio, posam na calçada em frente à fachada da clínica, com o número da rua numa placa ao lado da porta

Quando alguém digita "dentista perto de mim" ou "psicóloga em [bairro]", o que aparece primeiro não é um site. É um mapa com três fichas, e cada ficha tem nome, nota, endereço, horário e um botão de rota.

Essa ficha é o Perfil da Empresa no Google — o serviço que por muitos anos se chamou Google Meu Negócio. Ela é gratuita, aparece antes de qualquer resultado orgânico e, para um consultório, costuma trazer mais visitas do que o site inteiro. E, na maioria dos casos, está pela metade: sem horário, sem foto recente, sem os serviços preenchidos, às vezes com um endereço antigo.

Este texto é como se resolve isso, do zero até a manutenção mensal.

O que essa ficha faz que o resto não faz

Vale entender o mecanismo antes do passo a passo, porque ele explica as decisões seguintes.

A busca local funciona diferente da busca comum. Quando o Google entende que a pessoa procura um serviço perto dela, ele passa a ordenar por três coisas: distância entre quem busca e o endereço, relevância entre o que foi digitado e o que a ficha declara, e destaque — o quanto aquele lugar aparece como referência, o que inclui as avaliações.

Distância você não controla. Destaque leva tempo. Relevância é a que se resolve numa tarde, preenchendo direito o que a ficha pergunta — e é exatamente a que fica em branco na maioria dos consultórios.

Há um segundo efeito, menos óbvio e muito valioso: a ficha responde perguntas que travam quem já decidiu procurar você. Onde é, se abre no sábado, se tem estacionamento, como é a entrada do prédio.

Há um tipo de casa em que esse segundo efeito é quase o serviço inteiro. Um laboratório é procurado por gente que precisa resolver uma coisa com hora marcada — onde coletar, se abre cedo, se precisa jejuar — e que some assim que resolve. O que a ficha responde ali, o perfil responde do outro lado, e as duas coisas trabalham para a mesma fila: como se toca o perfil de um laboratório. É o mesmo trabalho que os destaques do Instagram fazem — e pelo mesmo motivo, que é reduzir o desconhecido antes da primeira conversa.

Criar e verificar

O processo é gratuito e leva menos de uma hora de trabalho ativo, com uma espera no meio.

Procure antes de criar. Consultórios costumam já ter uma ficha criada automaticamente, a partir de dados públicos ou de alguém que marcou o lugar no mapa. Busque pelo nome e pelo endereço; se ela existir, o caminho é reivindicar, não criar uma nova. Duas fichas do mesmo lugar dividem avaliações e confundem o Google — e resolver isso depois dá mais trabalho do que fazer certo agora.

Use uma conta que não seja pessoal e efêmera. A ficha vai viver anos e pode precisar ser transferida. Uma conta do consultório evita a situação clássica de o acesso ter ido embora com quem cuidava do perfil.

A verificação é a parte que espera. Hoje ela costuma ser por vídeo: o Google pede uma gravação contínua mostrando a fachada com placa, a entrada, o interior e algo que ligue você ao lugar — um documento, o acesso a uma área restrita. Grave tudo de uma vez, em movimento, sem cortes. Também pode aparecer verificação por telefone, e-mail ou carta com código, dependendo do caso.

Endereço: só se a pessoa vai lá. Consultório com sala física declara o endereço. Quem atende só em domicílio ou só online declara a área de atendimento e esconde o endereço — inventar um ponto no mapa é o tipo de coisa que derruba a ficha inteira quando o Google percebe.

O preenchimento que decide a relevância

Aqui está o trabalho de verdade, e ele é todo de escrita.

A categoria principal é a decisão mais importante da ficha. Ela é o que mais pesa para a ficha aparecer numa busca. Escolha a mais específica que descreva o que você é — "Dentista" é diferente de "Ortodontista", "Psicólogo" é diferente de "Psicoterapeuta". Depois acrescente as secundárias que também descrevam você de verdade. Categoria que não descreve o seu trabalho não engana o Google e afasta quem chega pela busca errada.

Nome: o nome real, sem enfeite. A tentação de escrever "Clínica Odontológica Sorriso — Implantes e Clareamento no Centro" é grande e o Google trata isso como violação, com risco de suspensão. O nome é o nome.

Serviços, um a um. Cada procedimento ou atendimento que você oferece, com uma descrição curta. É a parte mais subaproveitada da ficha e a que mais amplia as buscas em que ela pode aparecer, porque é onde o vocabulário de quem procura encontra o que você faz.

Descrição do negócio. Um texto de algumas linhas dizendo o que você faz, para quem e onde. Sem promessa de resultado e sem superlativo — vale a mesma régua de qualquer material seu, pelas mesmas normas.

Horário, inclusive o dos feriados. O Google pergunta por feriados e quase ninguém responde. Uma ficha que diz "aberto" num feriado em que o consultório está fechado gera a pior experiência possível: alguém que foi até lá.

Atributos. Acessibilidade, estacionamento, banheiro adaptado, atendimento por vídeo, formas de pagamento. São filtros de busca, e cada um marcado é uma busca a mais em que você pode aparecer.

Fotos: quais, quantas e de onde

A ficha com fotos recebe substancialmente mais cliques de rota e de telefone do que a ficha sem. E as fotos que ela pede são as mesmas que qualquer consultório deveria ter.

O conjunto mínimo: logotipo, foto de capa, fachada vista da rua, entrada do prédio, sala de espera, sala de atendimento e retrato seu. A fachada e a entrada são as que menos gente sobe e as que mais ajudam quem está chegando pela primeira vez.

Valem exatamente as mesmas regras de uma foto de perfil: nenhum paciente no enquadramento, nenhuma tela com dado de gente, nenhum documento legível. Como se faz essa sessão com o celular, em quarenta minutos, está em fotos do consultório com o celular.

Acrescente algumas fotos a cada trimestre. Ficha com foto de cinco anos atrás parece abandonada, e o Google dá preferência a perfis com sinal recente.

Avaliações, e o cuidado que a saúde exige

Esta é a parte em que um texto genérico de marketing dá conselho perigoso para quem trabalha com saúde, então vale separar com cuidado.

Receber avaliação é normal e desejável. A avaliação é publicada pelo paciente, na plataforma dele, por iniciativa dele. Ela pesa no destaque da ficha e é lida por quem está decidindo.

Solicitar exige critério. Pedir avaliação a um paciente é uma zona em que as normas dos conselhos e a relação assimétrica de cuidado se encontram — e o desconforto de ser convidado a elogiar quem acabou de te atender é real. A postura conservadora, que é a da casa, é não solicitar ativamente: deixar visível que existe (uma plaquinha na recepção, o link no rodapé de um e-mail) e não pedir de pessoa para pessoa. Nunca, em hipótese alguma, oferecer qualquer vantagem em troca — isso viola as regras do Google e é problema ético em qualquer conselho.

Repostar avaliação no seu material é outra coisa, e aí a norma pega. O que o paciente escreve no Google é publicação dele; o que você reproduz no seu perfil é publicação sua, e passa a valer a regra do seu conselho sobre depoimento — que varia bastante entre eles, e em psicologia é desaconselhada mesmo com autorização. A comparação, conselho por conselho e com o texto de cada norma, está em a comparação entre os seis conselhos, com o texto de cada norma.

Responder é obrigação de casa. Toda avaliação merece resposta curta e cordial. Nas negativas, a regra que resolve tudo: nunca confirmar que a pessoa é paciente. Responder "lamento que sua consulta não tenha sido boa" quebra o sigilo diante de todo mundo que lê. A resposta segura é impessoal e oferece um canal privado: "Sentimos muito pelo relato. Se quiser conversar, nosso contato é [x]."

As postagens da ficha, e o que fazer com elas

A ficha tem um espaço de publicações — avisos, novidades, horários especiais. Elas duram pouco e não movem a busca de forma relevante, então não vale construir uma rotina em cima disso.

O uso que compensa é operacional: férias, mudança de horário, feriado, retomada de atendimento, um serviço novo. Uma por mês, quando houver o que dizer, é mais do que suficiente. Reaproveite o texto que você já escreveu para o perfil — o método de escrever essa mensagem curta é o mesmo de uma boa legenda: uma ideia por peça.

Há também a seção de perguntas e respostas, que quase ninguém administra. Qualquer pessoa pode perguntar ali, e qualquer pessoa pode responder — inclusive errado. Vale você mesmo publicar as cinco perguntas que mais chegam, com as respostas certas, e conferir a seção uma vez por mês.

A rotina mensal, em dez minutos

Ficha bem montada não é projeto, é manutenção. Dez minutos por mês bastam:

Responder às avaliações que chegaram. Conferir a seção de perguntas, corrigindo respostas erradas de terceiros. Subir duas ou três fotos novas. Conferir horário do mês seguinte, feriados incluídos. Olhar os números que o Google mostra: quantas pessoas viram a ficha, quantas pediram rota, quantas ligaram, e quais termos de busca levaram até ela.

Esse último item é o mais subestimado. A lista de termos que fizeram sua ficha aparecer é uma pesquisa de mercado gratuita: são as palavras exatas que as pessoas da sua cidade usam para procurar o que você faz. Elas costumam ser diferentes das que você usaria — e são excelentes assuntos de conteúdo, além de dizerem quais serviços vale a pena detalhar na ficha.

O que essa ficha não faz

Vale terminar delimitando, para não haver decepção.

A ficha alcança quem já está procurando o seu serviço, agora, perto de você. É demanda existente, e capturá-la é o trabalho mais barato que existe — por isso é o primeiro a fazer. Mas ela não alcança quem ainda não procurou, não constrói lembrança e não diferencia você de outro nome na mesma lista, além da nota e da distância.

Esse outro trabalho — existir na cabeça de alguém antes de a busca acontecer — é o que um perfil ativo faz ao longo de meses. Os dois são complementares e resolvem etapas diferentes; a diferença entre eles, e por que quase todo consultório precisa dos dois, está em site ou Instagram: por onde um consultório começa. E quem já está considerando pagar por visibilidade encontra o que o anúncio compra, e o que ele não compra, em Google Ads e tráfego pago na saúde.

Preencher a ficha é uma tarde. Manter um nome presente durante o ano é outra coisa, e é a que a gente assume: o mês inteiro planejado, montado na sua identidade visual e pronto para publicar, com a aprovação chegando no seu celular quando você tiver dois minutos.

O atendimento continua sendo o seu talento. A parte de aparecer pode ser de outra pessoa.

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