Negócio

Site para médicos e dentistas, ou Instagram? Por onde um consultório começa

· 8 min de leitura

Dois profissionais de uniforme cinza-claro atrás do balcão de recepção de uma clínica, um deles com um tablet na mão, olhando para quem chega

A pergunta chega quase sempre com um orçamento de criação de site em anexo: vale mais a pena fazer um site ou cuidar do Instagram?

Duas coisas antes da resposta. A primeira é que a pergunta está mal colocada: os dois fazem coisas diferentes, e comparar preço entre eles é comparar o preço de uma porta com o de uma placa. A segunda é o nosso lugar nisso — não construímos sites e não ganhamos nada se você decidir fazer um. O que se segue é a conta como ela é.

O que cada um faz que o outro não faz

Um site é endereço próprio. Ele é seu, não muda de regra, não some se uma plataforma decidir alguma coisa, e é o único lugar onde você controla exatamente o que é dito e em que ordem. É também o formato que o Google indexa melhor: uma página que explica um procedimento em profundidade pode aparecer para quem digita aquele procedimento, por anos, sem custo por clique.

Um perfil é onde a pessoa confere. É para lá que vai quem ouviu o seu nome numa conversa, e é lá que ela decide se manda mensagem. Um perfil mostra frequência — o que você publicou este mês, se o lugar parece ativo, se existe alguém do outro lado. Um site não consegue mostrar isso: site parado e site novo têm exatamente a mesma cara.

E há uma assimetria que decide muita coisa: o perfil resolve a etapa que sempre acontece. Nem todo paciente vai ao seu site; praticamente todo paciente que ouviu o seu nome vai procurar você numa rede antes de escrever.

Custo e prazo, com honestidade sobre a faixa

O mercado de criação de sites para consultório tem três patamares, e a diferença entre eles é grande.

Site de modelo pronto, montado por você numa plataforma de assinatura: custa a mensalidade da plataforma mais o domínio, e fica pronto num fim de semana. Serve bem para um consultório com poucos serviços.

Site feito por um profissional ou estúdio pequeno: página inicial, sobre, serviços, contato, com identidade própria. Custa uma quantia de uma vez, mais hospedagem e domínio por ano, e leva algumas semanas.

Site com estratégia de conteúdo: várias páginas explicando procedimentos, pensadas para busca, atualizadas ao longo do tempo. Custa vários múltiplos do anterior, e o que ele cobra de verdade não é dinheiro — é manutenção. Página escrita uma vez e nunca mais tocada perde posição para quem continuou escrevendo.

As faixas variam muito por cidade e por escopo, então peça três orçamentos e compare o que está incluído, não o número: quem escreve os textos, quantas páginas, quem hospeda, quem atualiza depois, e de quem é o domínio. Esta última importa mais do que parece — o domínio precisa estar registrado no seu nome.

A ficha do Google faz de graça o que muita gente compra

Antes de decidir entre os dois, existe uma terceira coisa, e ela é gratuita.

A ficha do seu endereço no Google — nome, especialidade, telefone, horário, fotos, avaliações — é o que aparece quando alguém procura pelo seu nome ou por "dentista" mais o nome do bairro. Para busca local, ela resolve boa parte do que as pessoas esperam de um site: onde fica, quando abre, como falar com você, como é o lugar.

Ela custa uma tarde para preencher direito e alguns minutos por mês para manter. Um consultório sem site e com a ficha completa aparece melhor em busca local do que um consultório com site bonito e ficha vazia. É a coisa de melhor retorno em toda esta página, e é a que menos gente faz.

O que quase todo site de consultório erra

Existe um padrão, e ele se repete de cidade em cidade.

O site vira folheto. Uma página inicial com uma frase de efeito, uma página "sobre" com o currículo, uma lista de serviços em uma linha cada, e um mapa. Não há nada ali que responda à dúvida de quem chegou, e por isso não há motivo para o Google mostrá-lo nem para a pessoa ficar.

Ele fica parado. É a natureza do formato: um site é feito, aprovado e esquecido. Dois anos depois, o horário está errado, um profissional que saiu continua na equipe, e o telefone é o antigo.

Ele não diz o que a pessoa veio saber. Quem procura "site para dentista" está pensando na própria vitrine, mas quem chega ao site está pensando no dente dela. Currículo não responde a isso; explicação responde.

Quando o site deixa de ser opcional

  • Quando você tem procedimentos que as pessoas pesquisam pelo nome. Aí cada procedimento merece uma página que explique de verdade, e é isso que traz gente do Google por conta própria, sem verba de anúncio.
  • Quando a clínica é grande. Vários profissionais, várias especialidades, convênios, unidades. Não cabe numa bio.
  • Quando o agendamento é on-line. Marcar sozinho, sem falar com ninguém, reduz atrito de verdade — e precisa morar em algum lugar seu.
  • Quando você anuncia. Mandar tráfego pago para o direct é caro; anúncio precisa cair numa página sobre aquilo que foi anunciado, e o site é onde essa página vive.

Cinco perguntas para quem for criar o seu site

Vale levá-las para qualquer orçamento de criação de site, porque são elas que explicam por que duas propostas com o mesmo escopo aparente têm preços tão diferentes.

  • Quem escreve os textos? Se a resposta for "você manda o conteúdo", o trabalho pesado continua sendo seu, e o prazo também.
  • Quantas páginas, e quais? Cinco páginas institucionais não é a mesma coisa que cinco páginas de procedimento pensadas para busca.
  • De quem é o domínio e a hospedagem? Precisam estar registrados no seu nome, com o seu acesso. Domínio no nome do fornecedor é o problema que só aparece no dia em que você troca de fornecedor.
  • Quem atualiza depois, e quanto custa? Site sem manutenção envelhece rápido e envelhece à vista.
  • O que acontece se eu quiser sair? Você leva os textos, as fotos e o domínio — ou recomeça do zero?

E o perfil que a plataforma de agendamento já dá?

Muitos consultórios já têm uma página em plataforma de agendamento ou de busca de profissionais, e ela cumpre parte do papel: aparece no Google, mostra horários, permite marcar.

Duas ressalvas honestas. A página é da plataforma, não sua — o endereço, as regras e a vizinhança são dela, e no mesmo lugar em que você aparece aparecem outros dez profissionais. E ela mostra dados, não critério: quem lê fica sabendo onde você atende e quanto custa, mas não como você pensa. Serve muito bem como canal de agendamento, e mal como o lugar onde alguém decide que é com você.

A ordem que funciona para a maioria

Para um consultório de um ou dois profissionais, começando agora, esta ordem erra menos:

  1. A ficha do Google, completa. Uma tarde, custo zero, efeito imediato em busca local.
  2. O perfil ativo. É a etapa que todo mundo faz antes de escrever para você, e é a única que mostra que existe alguém do outro lado esta semana.
  3. O site, quando houver o que pôr nele. Não quando sobrar dinheiro: quando existir conteúdo que justifique páginas — procedimentos explicados, agendamento, uma equipe que não cabe em duas linhas.

Invertendo essa ordem, o que costuma acontecer é gastar o orçamento inteiro no item 3, ficar sem fôlego para o 2, e nunca fazer o 1.

O erro mais caro é fazer os três pela metade

Um site parado, um perfil com quatro posts e uma ficha do Google desatualizada somam pior do que qualquer um dos três bem feito sozinho — porque cada um deles, mal cuidado, diz a mesma coisa sobre você. E a pessoa que está decidindo lê essa mensagem em três lugares em vez de um.

Se o orçamento é curto, escolha um e faça direito. Se já existe um site parado, não o apague: atualize o essencial — horário, telefone, equipe, endereço — e deixe-o em paz enquanto o esforço vai para o canal que a pessoa realmente abre antes de mandar mensagem.

Onde isso encosta no que a gente faz

Somos o item 2 dessa lista, e é bom dizer com clareza para você poder descontar o que for interesse nosso: cuidamos do perfil, toda semana, com identidade própria e dentro da régua da sua profissão. Não fazemos site, não fazemos ficha do Google e não gerenciamos anúncio.

Se a sua conclusão ao ler esta página for que o seu caso pede um site antes de qualquer outra coisa, essa é a conclusão certa, e ela não muda em nada o que está escrito aqui.

O que sustenta o item 2 na prática, por profissão, está em o perfil que recebe quem ouviu o seu nome e em o que uma clínica com várias salas publica. E se a pergunta seguinte for de custo, a comparação entre fazer sozinho, contratar alguém e assinar está em quanto custa cada caminho.

Compartilhe WhatsApp

Continue lendo