Março é quando o ano começa de verdade. As aulas voltaram, o carnaval passou, e a agenda que estava rala desde dezembro enche em duas semanas.
Para o perfil, isso significa uma coisa prática: o que foi publicado em janeiro e fevereiro é colhido agora. Quem parou nos dois primeiros meses chega em março sem nada acumulado e vai correr atrás do próprio consultório o semestre inteiro.
Março também é o mês mais generoso do primeiro semestre em datas úteis: oito, e pelo menos uma delas serve a quase toda área da saúde.
As datas do mês
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o mês inteiro
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o mês inteiro
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8 de março
Dia Internacional da Mulher Geral
a data mais mal usada do ano
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20 de março
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21 de março
Dia Internacional da Síndrome de Down
inclusão e desenvolvimento
Interessa a fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos
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24 de março
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26 de março
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31 de março
Março Lilás é a data de maior alcance do trimestre
O Março Lilás — prevenção do câncer de colo do útero — é a campanha em que mais gente busca informação e menos consultório publica alguma coisa que preste.
O motivo é constrangimento de forma, não de assunto: parece que só cabe a quem é ginecologista. Cabe a mais gente do que se imagina, porque a campanha é sobre exame de rotina, sobre vacina e sobre a distância entre saber que precisa e ir. Essa distância é a mesma em toda especialidade, e falar dela é falar do seu próprio consultório.
A régua de como um perfil profissional entra nessa campanha sem virar cartaz está em Março Lilás no perfil do consultório, com o que dizer e o que não dizer.
O Dia Internacional da Mulher, e o post que não se deve fazer
8 de março é a data mais mal usada do calendário da saúde, e o erro é sempre o mesmo: o cartão com flores e a frase "parabéns às mulheres guerreiras".
Não é homenagem — é ruído, e num perfil de saúde chega a ser esquisito, porque a sua paciente não veio até você para ser parabenizada. O 8 de março que funciona num consultório é o que usa a data para falar de acesso: o que muda no diagnóstico quando alguém demora a ser levado a sério, quais exames a mulher adia primeiro, o que a sua área vê acontecer por isso.
É a mesma lógica do Dia das Mães em maio, e as duas datas erram pelo mesmo motivo: tratam a paciente como categoria em vez de tratar o problema dela como assunto.
20 de março, e a única data odontológica do primeiro semestre
O Dia Mundial da Saúde Bucal é a data do ano em que a odontologia tem o palco sem disputar com nada. Ela não é a data da profissão — essa é em outubro —, é a data do paciente, e por isso rende muito mais alcance.
Um recorte que funciona: a boca como espelho do resto. Diabetes, refluxo, bruxismo, apneia, medicação contínua — tudo isso aparece na boca antes de aparecer no discurso do paciente. O post que mostra essa ponte é o que faz alguém marcar a consulta que estava adiando.
O 31, e a nutrição sem culpa
O Dia Nacional da Nutrição fecha o mês, e é uma das datas mais fáceis de estragar: março é o mês em que a promessa de janeiro já falhou, e o feed enche de post que cobra.
O que funciona é o contrário — a data como permissão para desfazer regra. Por que dieta restritiva não se sustenta, o que uma consulta de nutrição realmente faz, quanto tempo leva para mudar um hábito. Esse é o tom que sustenta um perfil de nutrição o ano inteiro, e março é a semana em que ele é mais lido.
Vale a mesma advertência para toda a saúde: nenhuma dessas datas pede promessa de resultado, comparação de antes e depois ou depoimento de paciente. A postura conservadora da casa está descrita em presença digital na saúde, e o recorte do seu caso se confirma com o seu conselho regional.
Depois de março vem abril, que é o mês de explicar — quatro das nove datas dele existem justamente para isso.
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