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Captação

Como contratar um social media para o consultório — o que você entrega, o que recebe e o que continua sendo seu

· 10 min de leitura

Profissional de jaleco branco, sentada à mesa numa sala clara, ouve com atenção um homem de óculos e camisa azul-clara que fala de costas para a câmera

Para contratar um social media para o consultório, decida antes o que vai continuar sendo seu: a conta, a voz, a aprovação de cada post e a responsabilidade perante o seu conselho. Depois, peça amostras de trabalho na saúde, pergunte quem conhece a norma da sua área, combine por escrito o prazo de aprovação e a titularidade das artes, e entregue um briefing de verdade na primeira semana.

O resto deste texto é cada uma dessas frases por extenso. Ele não fala de preço — as faixas que o mercado pratica e as linhas que fazem um orçamento mudar estão em quanto custa cuidar do Instagram de um consultório. Também não compara formatos: a diferença entre agência, profissional autônomo e assinatura está em quando uma agência é a resposta certa e quando não é. Aqui o assunto é a relação, que é onde a maior parte das contratações dá certo ou dá errado, qualquer que seja o formato escolhido.

O que perguntar antes de contratar um social media?

A conversa de venda costuma girar em torno de portfólio e preço. As perguntas que separam uma boa contratação de uma frustração são outras, e todas cabem numa reunião de meia hora.

"Você já produziu para alguém da minha área?" Não precisa ser a mesma especialidade, mas precisa ser saúde. Peça para ver um mês inteiro de um perfil real, não três peças escolhidas a dedo. Um mês mostra o que a vitrine esconde: se o ritmo se mantém, se os assuntos se repetem, se a legenda foi escrita por alguém que entendeu o tema ou só preencheu o espaço embaixo da arte.

"O que o meu conselho não deixa publicar?" Não é uma pergunta de prova, e ninguém precisa saber a resolução de cor. Mas a resposta mostra se a pessoa sabe que a publicidade em saúde tem norma própria — que antes e depois, preço, depoimento e promessa têm regras diferentes em cada conselho. Se a resposta for "a gente toma cuidado", vale pedir que ela leia com você o quadro das normas de publicidade de cada conselho e diga o que muda no trabalho.

"Quem escreve a legenda, e quem decide o assunto?" Arte bonita com legenda genérica é o defeito mais comum de perfil terceirizado. Em saúde, a legenda é metade do conteúdo — é onde a explicação acontece.

"Como funciona a aprovação, e quanto tempo eu tenho?" Tem de existir um momento em que você lê tudo antes de ir ao ar. Se esse momento não existe, ou se ele exige reunião semanal que a sua agenda não comporta, o arranjo vai quebrar no primeiro mês cheio.

"Se eu sair, o que acontece com o perfil?" É a pergunta que ninguém faz na assinatura e todo mundo faz na saída. A resposta certa é curta: o perfil é seu, as publicações ficam onde estão, e você sai com tudo o que foi produzido.

O que você entrega na primeira semana?

Terceirizar não é deixar de participar. É participar menos e em momentos melhores — mas a primeira semana pede mais de você do que as seguintes, e é ela que decide a qualidade dos meses depois.

Acesso, do jeito certo. O Instagram tem caminhos para dar acesso ao perfil sem entregar a senha da sua conta pessoal: perfil profissional, gerenciamento por ferramenta autorizada, conta vinculada a uma página. Prefira sempre o caminho em que você pode revogar o acesso sozinho, num clique, sem depender de ninguém trocar senha.

Um briefing com o que só você sabe. O que você atende e o que não atende, quem é a pessoa que mais chega ao consultório, as perguntas que você responde toda semana, os assuntos que você gostaria de nunca mais explicar no atendimento. Essas perguntas repetidas são a matéria-prima mais valiosa do perfil, e ninguém de fora consegue inventá-las.

Fotos do lugar. Banco de imagens resolve o genérico; o que faz um perfil parecer de verdade é a sala onde você atende, a recepção, as suas mãos trabalhando. Não precisa de fotógrafo — um celular e meia hora de luz boa resolvem o primeiro trimestre.

A régua do que você não diz. Além do que o conselho veda, todo profissional tem os seus limites: um tratamento que não quer associar ao nome, um tom que não reconhece como seu, um tema que prefere não discutir em público. Escreva isso. Ninguém adivinha, e é o tipo de coisa que, descoberta no terceiro post, vira desconfiança em vez de ajuste.

A identidade, se já existir. Cores, tipografia, logotipo. Se não existir, combine se ela entra no trabalho ou é à parte — e saiba que o logotipo é a menor parte dela.

O que você deve receber todo mês?

Uma boa forma de testar a relação é descrever, em uma frase, o que chega até você em cada mês. Se a frase precisa de muitas ressalvas, o escopo não está claro.

O que se espera de um trabalho de conteúdo bem combinado:

  • O mês planejado antes de começar. Os assuntos da semana já decididos, numa sequência que faz sentido — não peças soltas resolvidas na véspera. A lógica de organizar o mês inteiro de uma vez é a mesma, quer você faça, quer alguém faça por você.
  • Arte e legenda juntas, prontas para ler como o paciente vai ler.
  • Um ritmo que não oscila com a agenda de ninguém. O mês em que você está sem tempo é exatamente o mês em que o perfil precisava continuar de pé.
  • A publicação feita, no dia combinado, sem você precisar lembrar de apertar o botão.

O que costuma vir junto e vale a pena esclarecer: impulsionamento é outra conta, paga à plataforma; responder direct e comentários é outro serviço, e em saúde ele tem cuidados próprios; e relatório de seguidores é diferente de saber se o perfil está funcionando. Saber se quem cuida do seu Instagram está entregando pede outra régua, que não é o print do painel.

O que continua sendo seu, mesmo terceirizando?

Quatro coisas não se delegam, e não é por desconfiança: é porque não há como delegá-las.

A conta. O perfil está no seu nome, ou no da sua clínica. A titularidade não muda porque outra pessoa publica nele. Senhas, e-mail de recuperação e autenticação em dois fatores ficam com você.

A voz. Quem escreve pode ser outra pessoa, mas quem fala é você. Um bom texto terceirizado soa como você numa versão organizada — não como um perfil de marca que poderia ser de qualquer consultório.

A aprovação. Nada vai ao ar sem que você leia. É o mecanismo que mantém a voz sua e a norma cumprida, e não é um favor: é o desenho do trabalho.

A responsabilidade perante o conselho. Esta é a que mais pesa, e a menos dita na hora de contratar. Em todos os conselhos de saúde, quem responde pela publicidade é o profissional que aparece nela. Uma infração cometida por um post que outra pessoa escreveu continua sendo sua perante o conselho — não existe "foi a agência" num processo ético. É por isso que a aprovação não é opcional, e por isso que contratar alguém que conhece a norma vale mais do que contratar alguém que só sabe fazer arte bonita.

O que deve estar escrito no contrato?

Nada disso precisa de linguagem jurídica complicada. Precisa estar escrito, porque o que é óbvio na assinatura deixa de ser na saída.

Assunto Como deve ficar Por que importa
Titularidade da conta O perfil é seu; o acesso dado a terceiros é revogável por você Sair sem perder o perfil construído
Titularidade das artes O que foi publicado e pago fica com você, para uso no perfil Não ter de apagar meses de conteúdo na saída
Fotos que você forneceu Continuam suas, sem uso em portfólio sem autorização Fotos do consultório e de pessoas têm cuidado próprio
Prazo de aprovação Quantos dias você tem para ler, e o que acontece se não aprovar Evitar post publicado sem leitura, ou mês parado
Escopo mensal Quantas peças, de que tipo, com legenda, com publicação Saber o que cobrar e o que é extra
Ajustes Quantas rodadas de correção por peça Evitar atrito a cada vírgula
Saída Aviso prévio e entrega do que já foi produzido Sair sem buraco no calendário
O que não está incluído Anúncio pago, resposta de direct, gravação de vídeo Não descobrir no segundo mês

Um cuidado à parte merece a linha das fotos. Imagem de paciente tem camadas que vão além do contrato com quem produz — sigilo, lei de dados e a norma do seu conselho — e cada uma delas pede autorização própria. O termo de autorização para foto de paciente é seu, não de quem publica.

Como é o primeiro mês?

O primeiro mês é de calibragem, e é normal que ele peça mais correções do que os seguintes. O que está sendo ajustado não é a qualidade técnica da arte: é o quanto o texto soa como você e o quanto os assuntos são os que o seu paciente pergunta.

Algumas coisas ajudam a encurtar essa fase:

  • Corrija com motivo. "Não gostei" não ensina nada; "eu nunca diria 'transforme seu sorriso'" ensina para o ano inteiro.
  • Aprove no mesmo dia em que receber, sempre que der. O hábito de deixar para depois é o que transforma um calendário mensal num post atrasado por semana.
  • Mande o que acontece. Um curso que você fez, um equipamento novo, uma pergunta que três pacientes fizeram na mesma semana. É assunto real, e é o que diferencia o seu perfil de um modelo.
  • Não julgue pelos números do primeiro mês. Um perfil leva meses para ser reconhecido; a decisão de rumo tem hora certa, e ela não é no primeiro mês — o que fazer em cada um dos primeiros 90 dias vale igualmente para quem terceiriza.

Ao fim do primeiro mês, você deveria conseguir ler um post antes de abrir e reconhecer: isso é meu. Se ainda não reconhece, o problema é de briefing, e tem conserto.

Quando terceirizar não é o passo certo

Às vezes a resposta honesta é não contratar agora. Se você ainda não sabe para quem quer falar — que tipo de paciente quer atender mais —, um terceiro vai publicar com competência sobre um alvo indefinido. Se você não tem dez minutos por semana para aprovar, nenhum arranjo vai funcionar, porque a aprovação é a parte que não se delega. E se o que você precisa é de uma campanha com começo, meio e fim, com verba de anúncio atrás, o formato é outro.

Fora esses casos, terceirizar o Instagram do consultório costuma resolver o problema que mais derruba perfil de saúde: não é a falta de ideia nem de talento, é a semana em que a agenda aperta e o perfil para.

Onde a Be Visible entra nisso

A Be Visible é uma das formas de terceirizar: uma assinatura de conteúdo que só trabalha com saúde. Três publicações por semana, na sua identidade visual, com legenda escrita por quem conhece a norma do seu conselho, chegando para a sua aprovação pelo celular — e o perfil continua sendo seu do primeiro ao último dia. Como trabalhamos, sem letra miúda, está em quem somos.

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